Reabertura da Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura - dia 25 de maio

Informação ao utilizador:

Biblioteca Municipal Manuel Boaventura - Esposende | All About ...
Exmo. (a) Senhor (a)

A Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura reabre ao público no próximo dia 25 de maio, mas com constrangimentos decorrentes da situação de pandemia COVID 19 e para os quais solicitamos a melhor compreensão.

NORMAS DE ACESSO    

Obrigatório
·         Uso de máscara
·         Desinfeção de mãos entrada e saída
·         Distância mínima de 2 metros

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Segunda a sexta das 8h30 às 14h00, mediante marcação prévia

Contactos:
·         e-mail biblioteca.municipal@cm-esposende.pt·         telefone 253 960 181
·         telemóvel 961786 888

SERVIÇOS DISPONÍVEIS

·         Empréstimos e devoluções

Consulte previamente o catálogo  http://web.app.cm-esposende.pt/pacweb/  para ter acesso a todos os documentos, fazer reservas ou renovação. Só pode fazer reserva ou renovações entrando na área do leitor e autenticando-se com o seu número de leitor e colocando como password o seu número do cartão de cidadão.Pode também escolher presencialmente a partir de uma seleção disponível na receção da biblioteca, mas sem manusear os livros. Os empréstimos e devoluções fazem-se de forma presencial no horário definido e mediante marcação prévia. Os livros devolvidos ficam em quarentena  5 dias.

OUTRAS INFORMAÇÕES

Acesso interdito às estantes
Sem acesso a publicações periódicas
Sem acesso a computadores
Esperamos resolver em breve o acesso à sala de leitura e serviço de internet.

Com os melhores cumprimentosMaria Luísa LeiteCoordenadora de Serviço|BibliotecáriaLOGO BIBLIOTECA
R. Dr. José Maria de Oliveira, nº 18
4740-265 ESPOSENDE
Entrevista à professora bibliotecária da ESHM


Na impossibilidade de a Rede de Bibliotecas Escolares se deslocar à Escola Secundária c/ 3.º Ciclo Henrique Medina para realizar uma reportagem, a professora bibliotecária, Fernanda Vilarinho, dá uma entrevista à distância a propósito da "Escape Room: à Descoberta de Camilo", atividade que mereceu da parte da RBE o prémio "Atividade Top".
“Escape Room” da ESHM premiada pela Rede de Bibliotecas Escolares

No âmbito de uma iniciativa da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) - Fazer em Rede - que visa distinguir, mensalmente, atividades que se destaquem pelo seu caráter inovador, foi atribuído à Biblioteca Escolar da ESHM o prémio relativo ao mês de janeiro. 
A atividade foi pensada e realizada na sequência de uma visita dos alunos do 11.º ano à Casa Museu Camilo Castelo Branco, em São Miguel de Ceide, Vila Nova de Famalicão, e consistiu na construção de uma Escape Room virtual intitulada “À descoberta da Casa Museu de Camilo”. A Escape Room é uma atividade de gamificação que coloca os alunos no centro da aprendizagem, obrigando-os a recorrer a uma diversidade de ferramentas digitais, para solucionarem um conjunto de tarefas e desafios, em trabalho colaborativo, usando o espírito crítico e a criatividade na tomada de decisões.
Logo que seja possível, a Rede de Bibliotecas Escolares deslocar-se-á a esta Escola para realizar uma reportagem onde serão entrevistados, a professora bibliotecária, Fernanda Vilarinho, e o professor da equipa da Biblioteca e da disciplina de Literatura Portuguesa, Ulisses Mota. Pretende a RBE, com esta reportagem, apresentar um testemunho do trabalho que é desenvolvido diariamente nas bibliotecas escolares e inspirar os professores de outras bibliotecas e de outras escolas.


A propósito de um livro de Venceslau Moraes


A Biblioteca Nacional disponibiliza no seu fundo documental digital uma das obras de referência escritas por Venceslau Moraes, justamente, O livro do Chá. É possível aceder a ele através do pdf disponibilizado. Optámos por deixar o link sobre este recurso muito interessante pelo seu valor documental e que nos devolve o valor das bibliotecas e dos seus fundos digitais para o conhecimento e estudo dos diversos temas que interessam ao conhecimento da sociedade  e do homem em diferentes tempos.

A propósito de Venceslau Moraes

Venceslau Moraes foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XIX que se tornaria muito importante para compreender a cultura oriental e em particular a japonesa. Nasceu em Lisboa a 30 de maio de 1854 e tornou-se oficial da marinha, tendo completado o curso da Escola Naval em 1875. Realizou serviço em Moçambique, Macau, Timor e Japão. 

A sua primeira viagem ao Oriente data de 1885, em concreto a Macau, onde se estabelece. Trabalhou na capitania do porto de Macau e foi ainda aí professor, desde a criação do liceu em 1894. Estabeleceu contactos com Camilo Pessanha que teve igualmente uma experiência no Oriente.

Em 1889 parte para o Japão, país que o vai cativar e onde regressará várias vezes. Chega a ser recebido pelo imperador Meiji e acaba por deixar Macau, indo viver para o Japão, onde se torna Cônsul em Kobe. No Japão será a cultura e a atividade literária que irá marcar a sua vida. 

Devemos a Venceslau Moraes o conhecimento que em Portugal se obteve do Oriente e em particular do Japão, da sua cultura, hábitos e costumes quotidianos.  A morte de Ó-Yoné, mulher japonesa com quem vivia levou-o  a renunciar ao cargo consular e passou a viver em Tokushima. Aí viveria com uma sobrinha de Ó-Yoné, justamente Ko-Haru, que igualmente perderia a vida cedo.

Venceslau Moraes vive em Tokushima uma rotina diária semelhante à que tinham os japoneses. Morreria nessa mesma cidade a um de julho de 1929. Venceslau de Moraes deixou-nos um conjunto de obras muito importantes para o conhecimento da cultura oriental e, em particular do Japão. Entre estes podemos destacar: 
  • 1895: Traços do Extremo Oriente
  • 1904: Cartas do Japão
  • 1905: O culto do chá
  • 1906: Paisagens da China e do Japão
  • 1907: A vida japonesa
  • 1924: Relance da História do Japão
  • 1926: Serões no Japão
  • 1928: Relance da Alma Japoneza  
A RTP realizou um documentário sobre esta interessante figura. Pode ser visto aqui


Teletrabalho em Bibliotecas, é possível?


No já longínquo ano de 2002 apresentei/defendi na Universidade do Porto-FEUP uma dissertação de mestrado (pré-Bolonha) sobre Teletrabalho e Bibliotecas, estando nessa altura longe de imaginar que eu próprio viria, quase duas décadas depois, a experienciar no domicílio o trabalho remoto nesta área. De então para cá, a acentuada evolução nas vertentes juslaboral e tecnologias da informação e comunicação foram significativas. Refiram-se, a título de meros exemplos, a crescente utilização de redes sociais, de aplicações e plataformas informáticas colaborativas, o desenvolvimento e generalização de redes de comunicações (com especial realce para as VPN´s) e a publicação de legislação (alguma muito recente) alusiva ao teletrabalho.

Não obstante, a adesão em Portugal a formas remotas de trabalho tem sido, sobretudo por razões de cultura organizacional, residual; dados oficiais de 2018 revelam que somente 0,02% dos trabalhadores por conta de outrem (incluindo aqui a Administração Pública) estavam abrangidos por “contratos de prestação subordinada de teletrabalho”.

A conjuntura contingencial que atualmente vivemos devido à pandemia COVID-19 tem, por força das circunstâncias e do isolamento social, fomentado exponencialmente a adoção de práticas de teletrabalho, total e/ou parcial, em muitas profissões e atividades. As bibliotecas (e outras unidades documentais), enquanto organizações dinâmicas da fileira da informação e do conhecimento, procuram através dos seus profissionais responder aos problemas e desafios que esta forma de organizar o trabalho remotamente acarreta não descurando, de igual modo, os serviços aos seus utilizadores e à comunidade onde se inserem.

Evidentemente, nem todas as atividades e tarefas usualmente desenvolvidas nas bibliotecas são suscetíveis de ’teletrabalhabilidade’, contudo muitas delas são exequíveis de serem efetuadas, ainda que parcialmente, de forma remota. É possível identificar e agregar um conjunto alargado de tarefas, rotinas e atividades, tradicionalmente desenvolvidas em bibliotecas e unidades documentais, que podemos tipicamente enquadrar (sem preocupações de exaustividade) nos seguintes eixos meramente operativos:

Administração e gestão: planeamento, análise documental, investigação bibliográfica, aquisições, revisão da base de utilizadores/leitores, elaboração de relatórios, estatísticas, preparação de propostas, pareceres e dossiers, coordenação e gestão de projetos, elaboração de trabalhos diversos a partir de dados existentes, gestão de informação…;
Tratamento técnico documental / processamento bibliográfico: registo, adição de cotas, catalogação, classificação e indexação em linha, revisão de autoridades, normalização de registos bibliográficos, elaboração de índices, conversão retrospetiva de catálogos…;
Informática documental: introdução/digitação de dados, verificação, deteção e controlo de erros e validação de registos, manutenção e gestão de bases de dados/sistemas integrados de gestão de bibliotecas, seleção, extração e importação/exportação de registos, desenvolvimento aplicacional…;
Referência e apoio ao utilizador: pesquisa documental, mediação de informação, difusão seletiva de informação, fornecimento de documentos por via eletrónica, formação à distância (profissional e/ou aos utilizadores), produção de informação de valor acrescentado a partir de dados já processados, digitalização de conteúdos, atividades em linha de referência e apoio aos leitores (videoconferência, chats,…), atividades de divulgação e de extensão cultural (exposições e mostras, serviços de apoio ao ensino, webdesign, edições digitalizadas, biblioteca digital,…).

Naturalmente, as atividades a desenvolver em regime de teletrabalho deverão ter em consideração a tipologia das bibliotecas (nacional, municipal, universitária, especializada, pública, privada, itinerante,…), o público alvo e/ou a comunidade que servem, as características dos fundos e coleções (maior ou menor vertente patrimonial, livre acesso, empréstimo domiciliário,…), a cultura organizacional da instituição, a formação e capacitação dos recursos humanos existentes e a infraestrutura tecnológica disponível. Ainda assim, assomam inevitavelmente alguns constrangimentos que poderão e deverão ser mitigados. Presentemente, com imaginação e engenho; num futuro próximo, com indispensável planeamento e organização.

Terminaria o presente e sucinto contributo-testemunho enfatizando algumas atividades de teletrabalho, associadas à criação, processamento e difusão de informação bibliográfica, nas quais estou profissionalmente envolvido. Na área do processamento bibliográfico e documental – particularmente no domínio do livro antigo – muito tenho beneficiado da disponibilidade e do acesso, livre e universal, a catálogos públicos em linha de referência, a bibliotecas digitais e a repositórios de dados abertos, em Portugal (ex.: OpenData BNPortugal) e internacionalmente.
Estes e outros recursos informacionais facilmente acessíveis através da Internet possibilitam, entre outras valências, a reutilização de dados para conversão retrospetiva de catálogos e, mesmo, catalogação remota via VPN com imediata disponibilização pública da descrição catalográfica no webOPAC das bibliotecas. Ulteriormente e in loco os dados processados serão cotejados com as respetivas espécies bibliográficas corrigindo-se, então, o que se revelar necessário e aditando-se os dados específicos relativos ao exemplar in manu.

Findo com uma palavra de encorajamento aos profissionais da informação e com uma saudação (também extensiva aos seus familiares) apropriada nos tempos que correm.
Saúde!
Júlio Costa, "Teletrabalho em Bibliotecas? Sim, é possível...", in BAD, 25.03.2020


A Covid-19: olhar para o futuro



"Há anos que Vladimir Safatle vem estudando como o “medo se tornou elemento da gestão social”. A comunicação política, que inflige o medo e acena com a esperança, passou a ser o modo de desenhar o espaço social e ratificar a precarização em todas as dimensões da vida humana, gerando a fácil submissão e controlo. A população é sujeita a uma intimidação, nem sempre subtil, que pode explicar a precipitação de contornos imorais em favor de regimes de aspiração autoritária e reafirmação de um capitalismo ou socialismo prepotentes.

Quando hoje explanamos sobre o medo estamos imediatamente a implicar a mentira, essa outra realidade que se demite de fazer prova, vive de criar o que não é verdadeiro e de desmentir o verdadeiro de modo impune. A mentira não é, por isso, simples. Ela é uma artimanha complexa, amadurecida, que tanto terá seu valor na utilização mais sofisticada (como podemos verificar na conspiração de Steve Bannon ou do algoritmo do Facebook, que prefere a discussão promotora das discórdias) ou na sua utilização linear, simplória e grotesca, como quando Maduro diz o que quer que seja, Trump diz o que quer que seja ou Bolsonaro diz o que quer que seja.

Neste estado do Mundo, já todos nos apercebemos como lidamos essencialmente com hipóteses, o que transforma a aceleração que já se vivia numa obsolescência que muda o paradigma humano sob o qual vivíamos. Os cidadãos de hoje acreditam em algo em que aceitam deixar de acreditar no instante seguinte. Já não há demasiada ansiedade nisso. Somos abertos a todos os paradoxos e assumimos o descompromisso. Confrontados com a mentira e desmentidos constantes, não haver verdade é a nova normalidade. Somos sobretudo uma sociedade de emoções e todas as emoções prestam serviço à verdade do instante. As emoções não se comprometem senão com o instante. Exatamente como ninguém poder ser culpado por se ter desapaixonado ou perdido a convicção de que algo ou alguém é belo.

Agora, diante da emergência médica imposta, não é útil escrutinar as teorias da conspiração que propõem as mais assustadoras causas para a Covid-19. Além do fortalecimento do serviço de saúde público, universal, democrático, gratuito, importa começar a prestar atenção à necro-política, essa deturpação absoluta, golpista, de foro criminoso, que vampiriza a miséria para justificar todas as atrocidades antidemocráticas, preterindo as leis fundamentais sem outro propósito que não o de usurpar o poder e instrumentalizar a finança. A Covid-19 é uma ameaça a tudo quanto se conquistou.

Mal gerido o tempo de a vencermos poderemos acordar num Mundo que não será somente empobrecido, mas também embrutecido, por imponderada fúria ou frustração (coisa que já vinha acontecendo no Mundo inteiro) entregue às mãos de novos ditadores.
Estou trancado em casa cuidando da minha mãe, com oitenta anos feitos em janeiro passado.Assustada com os noticiários, bem antes de qualquer apelo ou medida do Governo, veio dizer-me que sabia não superar este perigo. Eu quis argumentar com o autêntico muro que já erguia em seu redor, mas não permitiu que concluísse. Pediu: deixa-me morrer sem saber mais nada.

Diante do medo, o que quer que tenhamos para dizer às pessoas é um compromisso, uma responsabilidade. E é bom que a esperança de que sejamos capazes se muna da inteligência bastante para não ser imediatamente imbecil ou até culpada. Celebro muito que o nosso Governo e o nosso presidente mantenham um discurso calmo, ainda que os vejamos por vezes atarantados, lentos nas decisões, desassombrados diante de tão grande medo.
Mas sei que podemos estar a falar dos últimos democratas. Figuras meninas chegaram à política portuguesa que escalam como outros vírus nas simpatias dos torpes e dos muito ignorantes, acenando já a um futuro que uma pandemia e consequente crise financeira poderão antecipar quase entusiasticamente.

Estarei aqui nem que como um sonhador a defender a minha mãe, é a minha prioridade prática, mas tão rápido quanto devíamos ter dotado os hospitais de melhores condições, devemos também elucidar as consciências. Porque confundir a hecatombe desta crise com a derrocada da democracia poderá ser, esse sim, o equívoco que nos reduzirá a todos a pouco mais do que escravizados no mundo moderno.

É imperioso que a liderança inequívoca necessária nestes tempos não se confunda com uma imprestabilidade da Democracia. É imperioso que comecemos a discutir o medo para que ele se desmistifique. Os discursos do medo, do ódio, do preconceito, da exclusão, têm de ser atacados e nenhum cidadão pode ser convencido de que perdeu o direito ao seu país e muito menos o direito à vida. As tolerâncias democráticas não podem redundar na impunidade perante ataques constantes às leis fundamentais segundo as quais nos constituímos. Quando já se elegem presidentes cujos ídolos são comprovados torturadores ao serviço de ditaduras, quando o mundo democrático ratifica tal gesto, a doença da tolerância está diagnosticada. Liberdade não é legitimação do grotesco, ou elogio do crime. Liberdade não é branqueamento do crime e da opressão. Isso é cumplicidade e opressão. É opressão.

À espreita deste vírus está outra coisa maior, mais grave. Saibamos, a todo o momento e mesmo em possível estado de emergência, defender o elementar ouro da sociedade: a democracia, império contrário da discriminação e da mentira."

Valter Hugo Mãe, "A covid-19: Mira ao futuro", in Notícias Magazine, 24.03.2020.