Recomeços...com a leitura

Por estes dias a despedida da rainha Isabel II marcou as notícias e os media em todo o planeta. Isabel II teve um papel muito especial na monarquia do Reino Unido e fez do serviço a essa causa um valor de vida muito significativo, que será quase impossível encontrar um exemplo semelhante na ligação e identidade de uma cultura e de um País a uma figura pública. A simpatia por ela manifestada de modo tão significativo é o sinal de uma ligação, onde os valores da memória e da construção de uma identidade assumem um valor de uma relação que assumiu muitas formas.

A rainha Isabel II relacionou-se de muitas formas com a sociedade onde nasceu e cresceu, esse mundo onde o Império Britânico comandava o mundo até aos tempos em que ele se transformou numa Commonwealth. Alguns rituais mantiveram-se, mas existem sempre realidades novas a considerar, algo que a rainha Isabel II fez com grande capacidade.

Há alguns anos atrás, um escritor francês, Alan Bennett escreveu um pequeno e maravilhoso livro que nos revela o valor civilizador que a arte e a cultura, e nela a leitura podem ter no espírito humano. Nele o poder da leitura para desconstruir rotinas e criar mundos de possibilidades novos aparece quase como um conto de fadas,onde a rainha Isabel II quase prefere ser leitora a ser rainha. Um dia, ao procurar os seus cães encontrou a biblioteca itinerante estacionada no palácio de Buckingham, a rainha encontrou um funcionário da sua casa real, Norman que ao aconselhar-lhe um livro mudaria a vida da rainha. 

Alguns excertos sobre esse valor da leitura para mudar o que nos rodeia e o que podemos fazer com as nossas escolhas.

"A Rainha hesitou porque, para dizer a verdade, não tinha a certeza. Nunca se interessara muito pela leitura. Lia é claro, como toda a gente, mas gostar de livros era algo que deixava aos outros. Era um passatempo e fazia parte da natureza do seu cargo não ter passatempos.  Os passatempos implicavam preferências e as preferências tinham de ser evitadas; as preferências excluíam pessoas.  Havia que não cultivar preferências. A sua função era mostrar interesse por, não deixar que ela própria se interessasse. Além disso, ler não era fazer. Era alguém que faz. Por isso olhou a toda a volta a carrinha forrada de livros (...)

Agora que descobrira as delícias da leitura, Sua Majestade tinha muita vontade de as divulgar. Ao encontrar naquele dia Sir Kevin, ele [ao ver a a rainha a ler] disse-lhe:

- Consigo entender - disse ele - a necessidade que Vossa Majestade tem de passar o tempo.
-Passar o tempo? -disse a Rainha. -Os livros não são para passar o tempo. São sobre outras vidas. Outros mundos. Longe de querer que o tempo passe, Sir Kevin, quem nos dera ter mais. Se quiséssemos passar o tempo, íamos à Nova Zelândia.  
Sir Kevin retirou-se magoado. Porque é que, neste momento particular da vida, sentira subitamente atração pelos livros. Donde surgira esse apetite?

Sim, poucas pessoas tinham visto mais mundo do que ela. Quase não havia país que não tivesse visitado. Estando ela própria na tribuna do mundo, porque se entusiasmava agora com livros que, por muito que pudessem ser, não passavam de um reflexo ou versão do mundo? Livros? Ela vira a realidade.

-Eu leio e penso - disse ela a Norman -, porque temos o dever de descobrir como são as pessoas. - O comentário fora tão trivial que Norman não lhe dera muita atenção, pois não sentia esse dever e lia por puro prazer e não para se iluminar ou inspirar, embora soubesse que parte do prazer era inspiração. Mas ali o dever não entrava.  Para alguém com a formação da Rainha, no entanto, o prazer ocupara sempre o segundo lugar em relação ao dever. 

Mas porque é que aquilo se apoderara dela agora? Não discutiu isso com Norman, por sentir que dizia respeito a quem ela era e à posição que ocupava. O apelo da leitura, pensou, vinha da sua indiferença: havia na literatura algo de nobre. Os livros não se importavam com quem os lia, nem se os líamos ou não. Todos os leitores eram iguais, incluindo ela própria. Pensou: a literatura é uma comunidade. (...)

Só agora compreendia o que significava. Os livros não se submetiam. Todos os leitores eram iguais e aquele livro levou-a ao princípio da sua vida. Quando ela era nova, uma das suas maiores emoções foi a noite da Vitória na Europa, em que ela e a irmã se esgueiraram pelos portões, incógnitas, e se misturaram com a multidão. Sentia que havia algo disso na leitura. Era anónima, partilhada, comum. E ela, que levara uma vida à parte, ansiava por isso. Aqui, nestas páginas e entre estas capas, podia seguir incógnita. 

Porém, dúvidas e interrogações eram só o princípio. Uma vez no ritmo normal, deixou de lhe parecer estranho o facto de querer ler, e os livros, aos quais se afeiçoara tão cautelosamente, passaram pouco  apouco a ser o seu elemento. "

A Leitora Real / Alan Bennett. Lisboa: Edições Asa, 2009.

 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO «NUNCA PARES», 

DE EMANUEL MENDES I BIBLIOTECA MUNICIPAL MANUEL DE BOAVENTURA I ESPOSENDE



 

A Rede de Bibliotecas do Concelho de Esposende celebra, de 20 a 27 de fevereiro, a Catraia de Livros - Semana da Leitura, dedicada ao Centenário de José Saramago.







A memória em José Saramago

 "Porque terá chegado a grande sombra, enquanto a memória não o ressuscitar no caminho alagado sob o côncavo do céu e a eterna interrogação dos astros. Que palavra dirá então.” (1)

 As memórias com que trabalhamos o quotidiano dão-nos imagens e flashes de vivências que tivemos e que pelo seu significado nos concedem espaços de viagem a um passado que apenas reencontramos. Neste território, queremos habitar o olhar, as formas de brincar com os dias, desejar construir o quotidiano com a mesma forma de possíveis, mas já lá não estamos com as mesmas atribuições de fantasia. 

As pequenas memórias, como espaço de infância é um território já afastado de nós, estranho à nossa dimensão de seres trabalhados no tempo e onde a viagem está já marcada por esse pó que se levanta dos dias. Escrever da infância é sempre regressar ao milagre da descoberta dos primeiros passos, do olhar que ficou marcado nos gestos, nos encontros, nas pessoas, nos objetos que reivindicam uma pequena imortalidade. A memória é também uma reconstrução desse tempo e nesse sentido do que foi a infância. 

Em As Pequenas Memórias José Saramago reescreve esse tempo, em que procurou integrar um espaço social, económico e cultural. As suas memórias terminam na adolescência, pois a construção da infância, a emersão nesse território por onde entrou no mundo aí fazem terminar a fantasia desse olhar. Biografia, uma biografia sua já não teria o mesmo significado. Em As Pequenas Memórias, Saramago recorda o processo de reconstrução da imagem da infância, pelo que foi, pelo que foi encontrado de particular e de original nessa festa que é sempre a chegada de uma criança. 

Em As Pequenas Memórias recebemos levemente os traços que confirmaram Saramago com um escritor. Já ali se descobre o seu olhar para as questões sobre as coisas. Apesar do seu sucesso educativo como aluno, é o olhar, os ambientes, as sombras, as pessoas, os dilemas de vida que forjam as suas representações do mundo. José Saramago descobriu-se como grande leitor mais tarde e a sua escrita conduz às palavras, essa imaginação das possibilidades, que desde criança o colocou nesse confronto com o quotidiano. 

As Pequenas Memórias explicam-no como pessoa e aproximam-nos de uma ironia de pensamento com que povoou os seus livros. A recriação do real, a ousadia das abordagens, as polémicas que manteve foram formas de construir as paisagens humanas, que desde cedo conheceu e quis transformar. 

A memória é também em Saramago, uma reconstrução, uma forma de possíveis. Toda a sua obra mergulha na tentativa conquistar o real, por esse olhar que desde cedo procurou trazer uma forma mais justa e questionável de medir o horizonte dos dias. Pode a memória recuperar esse tempo passado, essa aventura de um tempo sem tempo? José Saramago acha que sim. É uma possibilidade, mas convinha não esquecer que os unicórnios não costumam voltar do seu tempo de magia.

 (1) José Saramago. (2014). As Pequenas Memórias. Porto: Porto Editora.

Concurso nacional de leitura

 

                       Agrupamento António Rodrigues Sampaio - Fase de Escola - Alunos Selecionados

Apresentamos em baixo os alunos que no básico, nos diferentes ciclos venceram a 1ª eliminatória do Concurso Nacional de Leitura, a partir das leituras realizadas, justamente, As Naus de Verde Pinho, Missão Impossível e O Velho e o Mar. Deixamos as nossas felicitações aos alunos participantes e desejando que os que vão participar na fase concelhia possam ter um bom desempenho. Os resultados do CNL foram os seguintes:

1º ciclo

Artur Gulenko - EB de Rio de Moinhos 
Valentina Almeida - EB de Guilheta 
Santiago Sá -  EB de Forjães 
Vasco Nogueira - EB de Forjães

 2º ciclo

Sofia Bernardino Nunes (5.º MD) - EBARS 
Ana Etelvina Vasco Costa (6.ºMB)  - EBARS 
Soraia Lima de Lemos (6.º FA) - EBF 
Tomás Azevedo (5.º FB) -  EBF

 3º ciclo

Martim Ferreira (8.ºMA) - EBARS 
Matilde Coutinho (9.ºMC) - EBARS 
Matilde Marques (7.ºFA) - EBF 
Matilde Gião (9.º FA) - EBF

 Parabéns, a todos os que participaram! Um bom desempenho aos alunos que vão participar na fase concelhia!

 

 

Biblioteca Municipal de Esposende incentiva mais novos à leitura nas férias natalícias



A Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, de Esposende, aderiu ao projeto Juntos de Férias 2021, um projeto de parceria com a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, através da Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas.

Este projeto desenvolve-se através da APP Desafios LER+ e pretende promover o gosto pelo livro e pela leitura dos jovens dos 10 aos 15 anos, no período de férias.

Esta APP Móvel é gratuita e está disponível na Play Store, disponibilizando um conjunto de jogos/desafios associados a livros previamente selecionados pelo Plano Nacional de Leitura 2027 e que estão disponíveis na Biblioteca Municipal.

Para as Férias de Natal 2021, o projeto sugere os seguintes títulos: “Não te afastes, de Davis Machado, Caminho; “O filme da minha vida, de Maité Carranza (Fábula); “Os queridos da Princesa, de Michel Rio (Elsinore); “O livro das plantas carnívoras para exploradores corajosos, de Elena Fin (Booksmile); “A minha história é a história de muitas raparigas, de Malala Yousafzai (Akiara Books); e “Noa, de Susana Cardoso Ferreira (Oficina do Livro).

Após a resolução dos desafios propostos, os leitores poderão concorrer a vários prémios, o que se traduz numa motivação adicional.

Através da adesão a este projeto, a Biblioteca Municipal está a contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, da ONU.

Recorde-se que, devido à realização de obras de requalificação, a Biblioteca Municipal encontra-se encerrada, mas continua a garantir o serviço de empréstimo domiciliário, encontrando-se provisoriamente instalada no rés-do-chão da sede do Parque Natural Litoral Norte, na Rua 1.º de Dezembro, em Esposende.

 



 

Município de Esposende adere ao projeto «Juntos de Férias 2021»


A Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, em Esposende, aderiu ao projeto Juntos de Férias 2021, que se desenvolve através da aplicação Desafios LER+ e destina-se a jovens entre os 10 e os 15 anos.
Iniciado nas férias de Verão de 2019, o "Juntos de Férias" é um projeto de parceria entre a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, através da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, e o Plano Nacional de Leitura - Concursos, que tem por objetivo incentivar o gosto pelo livro e pela leitura.
O projeto desenvolve-se a partir da leitura de um conjunto de livros selecionados pelo Plano Nacional de Leitura 2027, associados a uma aplicação específica, a aplicação «Desafios LeR+», que disponibiliza jogos relacionados com os livros recomendados. Obtendo a pontuação máxima, os jovens participantes podem inscrever-se e habilitar-se a um prémio.
A aplicação é gratuita e está disponível na Play Store, disponibilizando um conjunto de jogos/ desafios associados a livros previamente selecionados pelo PNL2027 e que estão disponíveis na Biblioteca Municipal. Após a resolução de todos os desafios, os leitores poderão concorrer a vários prémios.
Para estas férias de Verão, os títulos escolhidos foram: “Carta ao cavaleiro de nada”, de João Marecos e Rachel Caiano, Livros Horizonte; “A rapariga que falava com ursos”, de Sophie Anderson, Minotauro; “A alma perdida”, de Olga Tokarczuk, Fábula; “Gosto, logo existo”, de Isabel Meira e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina; “O rapaz do rio”, de Tim Bowler, Presença; e “Striker Force 7” (vol.1), de Cristiano Ronaldo, Oficina do Livro.
Este projeto insere-se no contexto do contributo que Esposende pretende dar ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


 

Esposende promove Encontro com Mia Couto

Prémio Literário Manuel de Boaventura 2021



O Encontro com Mia Couto, Prémio Literário Manuel de Boaventura 2021, que o Município leva a efeito aproveitando a presença do escritor moçambicano em Esposende, teve ontem, dia 10 de julho, outro grande momento. Depois da sessão de entrega do Prémio, realizada no dia 9, o Auditório Municipal de Esposende acolheu a primeira das duas tertúlias do programa, proporcionando um contacto mais próximo e intimista com o escritor e um maior conhecimento da sua obra.

 Tendo por base o título da obra de Mia Couto “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, o escritor esteve à conversa com o Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, e o docente universitário, Sérgio Guimarães Sousa, presidente do júri do Prémio Literário Manuel de Boaventura. Uma conversa informal, onde o público presente e via online, através do facebook do Município, teve oportunidade de ficar a conhecer melhor o escritor, biólogo de formação. Foram quase duas horas de animada tertúlia, num primeiro momento de conversa entre os três convidados e, depois, de interação com o público, que teve, deste modo, oportunidade de colocar questões e/ou partilhar ideias com Mia Couto.

 Sérgio Guimarães Sousa voltou a destacar a peculiar sensibilidade do vencedor do Prémio Literário Manuel de Boaventura e que todos puderam perceber neste apreciado momento de partilha, onde ficou igualmente patente o seu natural sentido de humor.

 Considerando que o escritor teve oportunidade de visitar, durante o dia de sábado, alguns locais e equipamentos do concelho, o Presidente da Câmara Municipal quis saber, após esse contacto, a sua opinião sobre Esposende, que, na véspera, apelidou de “preciosidade”. Mia Couto referiu a diversidade de Portugal, notando que a oralidade é uma das caraterísticas do Norte, que encontrou refletida em Esposende. Falou de uma “sensação de familiaridade” e de “um sentimento de tempo, de história, que está presente do ponto de vista da construção”. Notou que “as terras são feitas de pessoas” para dizer que foi muito bem acolhido em Esposende: “sinto-me em casa, sinto-me em família. Esposende seria um local onde eu acordaria e sairia para a rua com vontade de encontrar gente”.

 A “apetência para a sabedoria de ficar calado” e a vontade de ouvir histórias fez dele escritor e a pessoa sensível, que vive em relação com a natureza. “Infeliz é o escritor que pensa em prémios”, afirmou, confrontado com o facto de a sua obra “Terra Sonâmbula” estar entre os doze livros africanos mais importantes do século XX. Clarificou que o maior reconhecimento que pode receber é a sua escrita tocar alguém.

 O escritor revelou algumas das suas referências na literatura e falou sobre a obra “O Mapeador de Ausências”, que lhe valeu o Prémio Literário do Município de Esposende, bem como sobre o exercício da escrita, nem sempre pacífico. Pronunciou-se sobre alguns aspetos da sociedade atual, desde a educação à saúde, e comentou, num registo descontraído e humorístico, citações de alguns escritores.

 No final, esteve disponível para mais uma sessão de autógrafos, tendo sido presenteado pelo Presidente Benjamim Pereira com um conjunto de publicações do Município, entre as quais o livro “Esposende – Lugares de Tempo e de Memória”, uma espécie de álbum com citações de escritores que escreveram sobre Esposende, que motivou o autarca, em tom de brincadeira mas falando sério, a desafiar Mia Couto a seguir-lhes o exemplo.

 Recorde-se que Mia Couto, aquando da entrega do Prémio, manifestou disponibilidade para contribuir para o enriquecimento cultural do Município, indo ao encontro da vontade então expressa por Benjamim Pereira de que o escritor seja embaixador de Esposende.





 

Mia Couto recebeu Prémio Literário Manuel de Boaventura 2021


Mia Couto, o vencedor do Prémio Literário Manuel de Boaventura 2021, manifestou vontade de contribuir para que “Esposende seja reconhecida como um centro de produção cultural”. O escritor falava na sessão de entrega da terceira edição do Prémio, que decorreu esta tarde, no Auditório Municipal de Esposende, assumindo, assim, a vontade de regressar a Esposende para conhecer melhor o Município e beneficiar do seu rico património cultural.

 A propósito da visita que, hoje, realizou à Casa de Manuel de Boaventura, imóvel que o Município de Esposende adquiriu recentemente, Mia Couto partilhou memórias para, a partir daí, explicar que a génese do livro “O Mapeador de Ausências”, que lhe valeu o Prémio Literário Manuel de Boaventura, foi partilhada com Patrícia, a sua companheira, com a sua filha mais velha e com o responsável editorial em Portugal, pois “não existe um único autor”.

 Na busca de informação sobre o concelho, o escritor moçambicano descobriu um trecho de Agustina Bessa Luís dedicado a Esposende, em que a escritora refere o seu “…apego profundo à natureza marítima das coisas e das pessoas…”. Mia Couto concluiu que “o trabalho do escritor é como o do sargaceiro, trazendo para terra não apenas coisas do mar mas o próprio mar”.

 Pela primeira vez em Esposende, Mia Couto assumiu que se deixou encantar por este território, que apelidou de “preciosidade”, e manifestou a disponibilidade para colaborar com o Município na materialização de eventos culturais que possam enriquecer culturalmente o concelho. “Estou completamente disponível”, declarou.

 O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, enquadrou a atribuição do Prémio Literário Manuel de Boaventura na estratégia cultural do Município. Referiu que, neste contexto, se insere, para além do Prémio, a reedição das obras de Manuel de Boaventura e a recente aquisição daquela que foi a sua moradia em Palmeira de Faro, para transformação em Casa-Museu, notando que a salvaguarda deste património e demais espólio de Manuel de Boaventura é da maior relevância.

 Sobre o Prémio Literário, Benjamim Pereira afirmou que esta terceira edição, à qual concorreram 104 obras, de vários países de língua portuguesa, deu “um salto qualitativo”, ficando associada a “uma referência na literatura”. Atendendo ao prestígio de Mia Couto, o Município entendeu englobar no programa mais dois momentos, duas tertúlias, que irão decorrer amanhã e domingo. “Importa desfrutar da presença de Mia Couto”, assinalou, considerando que a estadia de três dias possibilitará ao escritor conhecer Esposende e deixar-se seduzir por este “Privilégio da Natureza”. Concluiu, apelando a Mia Couto para ser embaixador de Esposende, “levando pelo mundo todo um pouco desta terra que o acolhe plena de admiração e respeito pelo seu trabalho”.

 Na qualidade de Presidente do Júri, Sérgio Guimarães Sousa, apresentou o enquadramento do Prémio, de periodicidade bienal, referindo que foi instituído com o objetivo de homenagear e divulgar o escritor e homem de cultura Manuel de Boaventura, bem como de incentivar a criatividade literária e o gosto pela escrita. Manifestou satisfação pessoal por participar de tão importante evento, atendendo à admiração que nutre por Mia Couto, enquanto escritor e como pessoa, e deu nota da qualidade literária da obra “O Mapeador de Ausências”, tecendo rasgados elogios ao autor. Realçou ainda a sua “intuição fabulosa” e “grande sensibilidade”, que, de resto, salientou, já lhe valeram a conquista de conceituados prémios literários. A terminar, Sérgio Guimarães Sousa expressou palavras de agradecimento ao Município de Esposende.

 A sessão de entrega do prémio foi iniciada por um momento musical, a cargo da intérprete esposendense Raquel Boaventura Rego, familiar do escritor Manuel de Boaventura. Em declaração à cantora, Mia Couto elogiou a sua qualidade da sua interpretação e manifestou-se comovido pela adaptação musical do seu poema intitulado “Foi para ti.”

 

 

Apresentação do livro «Janela Indiscreta: Crónicas da Emergência», de Isabel Cristina Mateus


O ano de 2020 ficará para sempre na nossa memória e nos compêndios de História como o início da primeira grande Pandemia do século XXI.

Em março desse ano, a professora e investigadora Isabel Cristina Mateus deu por si confinada à sua residência e, com o talento e a erudição que lhe são reconhecidos, começou a escrever, diariamente, numa rede social textos que rapidamente eram lidos com prazer e apreço sobre o mundo em confinamento.

É neste contexto que surge o livro “Janela Indiscreta: Crónicas da Emergência”, que a Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura tem a honra de apresentar em Esposende.

A última crónica do livro intitula-se “ Da Criação do Mundo: A Restinga” e é um belíssimo texto sobre  Esposende e o estuário do Cávado:

“Paisagem tecida de memórias, a  foz do Cávado é uma trama de imagens e de vozes…”!

A lotação do espaço cumpre as normas da DGS.


 


AQUALIBRI,  a nova Biblioteca Digital do Cávado, estará disponível em breve!  



 AquaLibri é o nome da nova Biblioteca Digital do Cávado, um projeto desenvolvido pela Rede Intermunicipal de Bibliotecas de Leitura Pública do Cávado (RIBCA), criada em 2018 no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Cávado (CIM Cávado), englobando as bibliotecas municipais de Amares, Barcelos, Braga, Esposende e Vila Verde e o município de Terras de Bouro. Prestes a abrir portas para o mundo, esta biblioteca foi financiada pelo programa PADES, da Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) e tem por objetivo disponibilizar, em suporte digital e em acesso livre, a documentação bibliográfica, visual, multimédia, entre outras, mais relevante da história de cada Município. 

 Usando o software DSPACE, parametrizado por uma equipa técnica da Unidade dos Serviços de Documentação e Bibliotecas da Universidade do Minho, a AquaLibri ficará alojada num servidor da CIM Cávado adquirido especificamente para este efeito e será a porta local para o acesso ao conteúdo de muita documentação que ao Minho diz respeito, a partir de agora acessível em qualquer parte do mundo. Construída utilizando, sempre que possível, um software de reconhecimento ótico de carateres (OCR) que permite a manipulação do texto (pesquisar dentro de cada documento, copiar palavras ou frases, imprimir, etc.) e apresentando documentos descritos por metadados que permitem a sua recuperação através de qualquer motor de busca, como o Google, independentemente do acesso direto à biblioteca, este novo portal de acesso à documentação patrimonial, histórica e científica regional assegurará também a preservação digital dos documentos, identificando-os através de descritores únicos de objetos digitais. 

 Acompanhando a criação da biblioteca digital do Cávado, as bibliotecárias e profissionais da informação da região usufruirão de uma formação especializada, que lhes permitirá gerir e desenvolver o projeto, que ambiciona constituir-se como o grande repositório de documentação regional, espelhando os municípios do Cávado nas suas várias vertentes, desde a histórica e patrimonial, à natural, geográfica e física, da sociedade e cultura material à cultura imaterial. 

 A AquaLibri é, além disso, um projeto participativo, que pretende estimular os cidadãos a colaborar enviando para arquivo imagens, documentos de família e outros recursos de informação que retratam a paisagem humana e física da região. 

Do lote de recursos bibliográficos e documentais que constituirão as coleções iniciais e, para além da migração da Biblioteca Digital do Município de Esposende para a AquaLibri, muita outra documentação foi entregue a uma empresa especializada, para digitalização, no passado dia 7 de maio de 2021, nomeadamente: 

 - Da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda, de Amares, as coleções completas de três jornais locais (“O Amarense”, “Tribuna Livre” e “A Voz da Abadia”), datados de entre finais do século XIX e o século XX, contabilizando no total 1118 números (esta documentação foi emprestada pela Biblioteca Pública de Braga ao Município de Amares para digitalização), reportando-se a restante documentação a algumas obras do Fundo Local com edições esgotadas ou em estado de conservação frágil. 

- De Barcelos, uma valiosa coleção de jornais do século XIX, como “O Ecco de Barcellos” (1860), o “Barcellense” (1873), a “Folha da Manhã “(1879) e “O Commercio de Barcellos” (1890) e ainda um conjunto de monografias que integram o valioso espólio da Barceliana, num total de 16800 páginas a serem digitalizadas ; 

- Da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, de Braga, as publicações de um fundo especial do Município de Braga: códices e cartas régias, pergaminhos e livros da operação da Photographia Alliança, bem como documentos do fundo especial Lúcio Craveiro da Silva, monografias sobre personalidades e instituições do concelho de Braga, num total de cerca de 285 recursos de informação, entre analíticos e monografias. 

- De Esposende, várias coleções de jornais locais, como o “Brisa do Mar”, o “Jornal de Esposende” ou o “Farol de Esposende” e a raríssima “Revista do Minho para o Estudo das Tradições Populares”, dirigida por José da Silva Vieira, editada em Barcelos e Esposende (1885); 

- Do Município de Terras de Bouro, diversas monografias do espólio documental do Arquivo Municipal alusivas ao Concelho (entre as quais alguns artigos sobre o Gerês e monografias há muito esgotadas, cedidas pelo antigo diretor da Biblioteca Pública de Braga, Dr. Henrique Barreto Nunes), bem como a coleção completa do extinto jornal  “O Geresão”. 

- Da Biblioteca Municipal Machado Vilela, de Vila Verde, para além da integração da coleção já digitalizada do periódico oitocentista “Folha de Villa Verde”, a obra completa do patrono, Prof. Álvaro Machado Vilela (um dos fundadores do Direito Internacional em Portugal, professor catedrático da Universidade de Coimbra e juiz dos tribunais Mistos do Egipto), bem como parte da sua biblioteca particular e, ainda, os primeiros 21 anos do jornal "O Vilaverdense" (1955-1976), uma coleção, ainda que incompleta, do mensário "Jornal da Vila de Prado", gentilmente cedida pela Casa do Povo de Prado,  monografias locais e obras do fundo antigo da biblioteca, incluindo uma raríssima edição de 1542 do "De Preparatione ad mortem", de Erasmo de Roterdão. 

Em comum, estas coleções têm a singularidade de se referirem ao Minho, serem raras e valiosas e o acesso público ser difícil pelo que, com o projeto agora em curso, ficarão a fazer parte da memória pública da região, em acesso aberto na Aqualibri, Biblioteca Digital do Cávado, um projeto inovador, inclusivo e participativo.

 



Concurso Nacional de Leitura - Fase Intermunicipal do Cávado




A Fase Intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura é, este ano, organizada pela Biblioteca Municipal de Vila Verde e decorrerá nos dias 21 e 22 de abril. A prova escrita, que decorre no dia 21, tem caráter eliminatório e servirá para apurar 5 concorrentes, por cada nível de ensino, para a prova oral, que decorrerá no dia seguinte. Devido à situação pandémica em que nos encontramos, as provas serão realizadas on-line. 
Os vencedores desta fase intermunicipal ficam apurados para a fase nacional do Concurso Nacional de Leitura

Agrupamento de Escolas António Correia de Oliveira integra a Rede de Escolas Leitoras

 




"O Plano Nacional de Leitura 2027 e a Rede de Bibliotecas Escolares felicitam toda a comunidade educativa e famílias pela integração do V/ Agrupamento de Escolas na Rede de Escolas Leitoras – aler+2027.

Este é o reconhecimento pelo empenho e o contributo deste agrupamento para o desenvolvimento de uma cultura de leitura, escrita e literacia nas vossas escolas que esperamos possa ser alargada e consolidada com o apoio desta Rede."

 

Foi desta forma que Plano Nacional de Leitura deu a conhecer à direcção do Agrupamento de Escolas António Correia de Oliveira, a aprovação da candidatura do projeto “aLeR+: criar e partilhar".

 

“aLeR+: criar e partilhar” visa, fundamentalmente, promover o ato de ler, em contextos diversificados, fomentando o gosto e o prazer de ler, por se acreditar que estes são primordiais para a construção de hábitos de leitura e têm um papel determinante na formação de leitores críticos e autónomos.

SERVIÇO DE EMPRÉSTIMO | “DA ESCOLA ATÉ À PORTA. NA LEITURA NÃO SE CORTA!”

 



Em tempo de ensino não presencial, as bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas António Correia de Oliveira colocam à disposição dos seus utilizadores (alunos, pais/encarregados de educação, professores e assistentes) residentes no concelho, um novo serviço de empréstimo de livros: “Da escola até à porta. Na leitura não se corta!“.

Os interessados em requisitar livros do acervo das bibliotecas das escolas António Correia de Oliveira e de Apúlia devem, para o efeito, preencher o FORMULÁRIO de empréstimo e aguardar que um elemento da equipa das bibliotecas do Agrupamento, devidamente identificado, bata à sua porta. Os pedidos devem ser enviados até à quarta-feira, sendo a entrega efectuada durante o dia de sexta-feira da mesma semana.

Recomenda-se a consulta prévia do Catálogo Coletivo da Rede de Bibliotecas do Concelho de Esposende a fim de se verificar a existência do livro solicitado (ressalva-se, no entanto, que o Catálogo se encontra em atualização, pelo que poderá haver livros nas bibliotecas não listados no Catálogo.


BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ESPOSENDE REABRE AO PÚBLICO EM ESPAÇO PROVISÓRIO





Na sequência do Plano de Desconfinamento definido pelo Governo e que iniciou a 15 de Março, o Município de Esposende vai proceder à reabertura da Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, em instalações provisórias, localizadas na sede do Parque Natural do Litoral Norte, na Rua 1º de Dezembro, nº 65, em pleno centro da cidade.

A Biblioteca Municipal encerrou ao público, no início do passado mês de janeiro, para obras de requalificação, tendo preparado, previamente, um espaço alternativo de funcionamento. Contudo, por força das medidas decretadas no âmbito do Estado de Emergência, concretamente a determinação de encerramento ao público de todas as bibliotecas, este espaço não chegou a abrir. Deste modo, fechada ao público devido a obras e em virtude da emergência sanitária, a Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura ficou impossibilitada de disponibilizar o serviço de empréstimo domiciliário, mesmo em regime de “take-way”, pois todo o espólio bibliográfico se encontrava empacotado. Esta situação será ultrapassada agora com a anunciada reabertura das bibliotecas, pelo que, a partir de amanhã, dia 17 de março, já será possível usufruir do serviço de empréstimo domiciliário de livros e filmes no concelho de Esposende.

Considerando que o serviço de leitura é essencial para a comunidade, ainda mais em época de pandemia e de confinamento, a Biblioteca Municipal vai funcionar todos os dias, entre as 9h00 e as 17h00. Por força das medidas de segurança sanitária, não será permitida a leitura presencial neste espaço alternativo.

De referir que as obras de beneficiação e requalificação da Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura continuam em curso, prevendo-se que possam estar concluídas dentro de 4 meses, altura em que ocorrerá a reabertura plena deste espaço de cultura.