Apresentação do livro «As sete Marias que matavam franceses»,
de Domingos Amaral
«Se eu fosse um livro, eu seria um livro de biblioteca e poderia ser levado para casa por todos os tipos de crianças.» Cornelia Funke
"Porque terá chegado a grande sombra, enquanto a memória não o ressuscitar no caminho alagado sob o côncavo do céu e a eterna interrogação dos astros. Que palavra dirá então.” (1)
As memórias com que trabalhamos o quotidiano dão-nos imagens e flashes de vivências que tivemos e que pelo seu significado nos concedem espaços de viagem a um passado que apenas reencontramos. Neste território, queremos habitar o olhar, as formas de brincar com os dias, desejar construir o quotidiano com a mesma forma de possíveis, mas já lá não estamos com as mesmas atribuições de fantasia.
As pequenas memórias, como espaço de infância é um território já afastado de nós, estranho à nossa dimensão de seres trabalhados no tempo e onde a viagem está já marcada por esse pó que se levanta dos dias. Escrever da infância é sempre regressar ao milagre da descoberta dos primeiros passos, do olhar que ficou marcado nos gestos, nos encontros, nas pessoas, nos objetos que reivindicam uma pequena imortalidade. A memória é também uma reconstrução desse tempo e nesse sentido do que foi a infância.
Em As Pequenas Memórias José Saramago reescreve esse tempo, em que procurou integrar um espaço social, económico e cultural. As suas memórias terminam na adolescência, pois a construção da infância, a emersão nesse território por onde entrou no mundo aí fazem terminar a fantasia desse olhar. Biografia, uma biografia sua já não teria o mesmo significado. Em As Pequenas Memórias, Saramago recorda o processo de reconstrução da imagem da infância, pelo que foi, pelo que foi encontrado de particular e de original nessa festa que é sempre a chegada de uma criança.
Em As Pequenas Memórias recebemos levemente os traços que confirmaram Saramago com um escritor. Já ali se descobre o seu olhar para as questões sobre as coisas. Apesar do seu sucesso educativo como aluno, é o olhar, os ambientes, as sombras, as pessoas, os dilemas de vida que forjam as suas representações do mundo. José Saramago descobriu-se como grande leitor mais tarde e a sua escrita conduz às palavras, essa imaginação das possibilidades, que desde criança o colocou nesse confronto com o quotidiano.
As Pequenas Memórias explicam-no como pessoa e aproximam-nos de uma ironia de pensamento com que povoou os seus livros. A recriação do real, a ousadia das abordagens, as polémicas que manteve foram formas de construir as paisagens humanas, que desde cedo conheceu e quis transformar.
A memória é também em Saramago, uma
reconstrução, uma forma de possíveis. Toda a sua obra mergulha na tentativa
conquistar o real, por esse olhar que desde cedo procurou trazer uma forma mais
justa e questionável de medir o horizonte dos dias. Pode a memória recuperar esse tempo passado, essa aventura de um tempo sem tempo? José Saramago acha que sim. É uma possibilidade, mas convinha não esquecer que os unicórnios não costumam voltar do seu tempo de magia.
(1) José Saramago. (2014). As Pequenas Memórias. Porto: Porto Editora.
"O mar estava sereno e, do cimo da duna, perto do moinho, avistavam-se aves nas rochas. depois de algum tempo, a Lara observou uma ave diferente do habitual (...)"Este é um excerto da história criada pelos alunos do 7.º E (2018/2019) da Escola Básica de Apúlia e que está no livro "Ajudaris'19, Histórias da Ajudaris escritas por jovens autores" - volume II


Os alunos dos três ciclos do ensino básico do agrupamento, através do projeto Todos Juntos Podemos Ler, puderam vivenciar práticas de inclusão e respeito pela diferença. Desafiados pelos professores, as crianças e jovens escreveram e ilustraram histórias para os seus colegas e amigos com Currículo Específico Individual (CEI). São histórias de fantasia, de mundos de príncipes e de princesas, de amigos, escritas com textos simples, curtos, em letra maiúscula e acompanhadas de Símbolos Pictográficos para a Comunicação (SPC) de modo a poderem ser lidas e compreendidas por todas as crianças com CEI.

"O Pequeno Grande © é um projeto da autoria da AGECOP – Associação para a Gestão de Cópia Privada e da Fundação Calouste Gulbenkian, promovido em 2013/2014 pela Fundação Calouste Gulbenkian, dirigido às escolas do 1º e do 2º Ciclo do Ensino Básico.


"O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo. Mas... e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas. Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento. Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo? Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?" (Capa de "O segredo de Compostela" - Alberto S. Santos)
A autora nasceu em Oeiras, em 1964, sendo licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de S. João do Porto e reside, desde 1998, em Esposende. Embora desde muito cedo sinta uma especial vocação para a escrita, só em 2008 resolve entrar na blogosfera, com “Pequenos Detalhes” (http://mariaescrevinha.blogspot.com ), onde edita regularmente os seus trabalhos, particularmente poesia.